29/04/2005

Coluna Swing de Guillermo Piernes, nesta sexta, 29 de abril


O golfe permite viagens dentro da própria viagem como comprovamos nestes dias quando tivemos o privilégio de jogar nos melhores campos da Costa del Golf, a bela região do sul da Espanha, a principal concentração de cenários do esporte da Europa. Um total de 60 campos. O Mediterrâneo descortinando-se em campos como Guadalmina, Alcaidesa, Costa Ballena, Novo Saint Petri, os percursos formidáveis em Santa Clara, San Roque e Los Naranjos.

Jogos para conhecer novos gramados, novos greens, traçados, companheiros de jogo. Desafios para atravessar novos lagos, sair de bancas e evitar árvores desconhecidas, integrantes de paisagens carregadas de história. Muitas vezes os novos cenários distraem. Devido à diminuição da concentração, marcamos algumas tacadas a mais em alguns jogos. Mas que significa uma tacada a mais num jogo entre amigos quando essa baixa concentração ou foco amplo e motivado pela aluvião de cores, aromas, aves, flores, sabores da viagem.

Cada buraco é uma viagem, um novo começo, ou seja, 18 novas oportunidades. Aprendamos a rir de nós mesmos. A não levar tão a sério nossos erros e também nossos acertos. Desfrutemos mais do percurso e deixemos de nos comparar aos grandes jogadores profissionais do mundo. Somos únicos na nossa forma de fazer o swing, de errar ou acertar, de jogar, de sentir, de viver.

Viajar é encarar o novo, acelerar as surpresas como aconteceu no green do buraco 18 de Alcaidesa, emoldurado pelas suaves e floridas colinas, o mar de intenso azul, a branca silhueta do Penhão de Gibraltar e a costa africana no horizonte. Com essas imponentes testemunhas do jogo chegou o momento culminante. Tinha pela frente um putt de seis metros com ligeiro declive para tentar que a bola entrasse no buraco de 10 cm de diâmetro. Fazer dois putts seria um bogey além de um bom negócio. Deixei que a mente, a emoção, os músculos sentissem a beleza circundante, a grama, a brisa, o sol. Nem senti o movimento. A bola rolou e rolou após o suave contato com o taco e buscou o buraco ate cair nele. A bola sabia que o fato de cair ou não cair no buraco era apenas um mesquinho detalhe, e envergonhada, se rendeu.