31/03/2006

Carta Foz do Iguaçu


Confira na íntegra a Carta da CBG que resume as principais diretrizes para a evolução e o crescimento do esporte no Brasil.

Foz do Iguaçu, 10 de março de 2006.

1. Formação Completa do Golfista

· Como um dos esportes que mais preza as tradições, o golfe exige uma formação completa do esportista, quanto à etiqueta, vestuário e obediência total às regras. Um manual de normas mínimas de postura de um jogador amador merece ser editado.
· Os clubes têm um papel fundamental para a formação completa dos jogadores, informando-os adequadamente sobre as posturas, ética e regras do esporte.
· Possibilidade de criação de um “selo de qualidade”, tipo ISO 9000, indicando a formação do método de ensino a ser aplicado pelo profissional.
· A Confederação Brasileira de Golfe, as Federações e as entidades representativas dos profissionais devem coordenar esforços para desenvolver e implementar uma metodologia de ensino de golfe para ser utilizada em todo o território nacional.

2. As Entidades do Golfe Brasileiro e Sua Relação com os Golfistas

· A Confederação Brasileira de Golfe tem como função precípua legislar sobre o esporte em todas as esferas. Cabe à Confederação Brasileira de Golfe instar para que todos os jogadores de golfe tenham seus “handicaps” oficiais e sejam inscritos através de suas federações e clubes.
· Cabe à Confederação Brasileira de Golfe como órgão maior do esporte do Brasil, a função de buscar subsídios para que suas filiadas possam desenvolver o golfe na sua parte mais importante que é a divulgação e realização dos eventos, possibilitando desta maneira que associações, clubes e seus jogadores participem ativamente de todos eventos do esporte. Um calendário de eventos de dois anos deve ser aprovado em assembléia da Confederação Brasileira de Golfe e amplamente divulgado visando ação coordenada de patrocínios.
· A Confederação Brasileira de Golfe, em parceria com as federações, deve coordenar ação junto às autoridades governamentais visando redução de impostos para importação de produtos para a prática do esporte. A Confederação Brasileira de Golfe deve também desenvolver ações para voltar a importar produtos para repasse a Federações e Clubes.
· Criação de uma comissão para estudo de propostas para implementação de um sistema de registro dos golfistas junto aos Clubes, Federações e Confederação Brasileira de Golfe, inclusive abordando o tema das contribuições financeiras.
· A exigência de registro no CREF (Conselho Regional de Educação Física) para os professores de golfe, sem que o curso específico faça parte do currículo das faculdades, cria um impasse que precisa ser diretamente tratado pelas entidades representativas do esporte. Ações junto aos conselhos federal e estaduais, bem como junto às universidades, precisam ser encaminhadas para resolver a questão.
· A Confederação Brasileira de Golfe e as Federações devem propor a inclusão do golfe nos jogos universitários e jogos estudantis, bem como regulamentar o golfe como esporte em todas as esferas governamentais.
· Criação de um mecanismo de intercomunicação “on line” para intercâmbio de idéias e decisões referentes ao esporte entre Confederação Brasileira de Golfe, Federações e Clubes.

3. Golfe Juvenil: Aposta no Futuro do Esporte

O golfe infanto-juvenil recebeu ênfase na análise pelos congressistas que ressaltaram os seguintes pontos:
· A falta de programas de treinamentos multidisciplinar para o golfista juvenil e também para o adulto;
· A criação de um departamento infanto-juvenil de golfe tanto para lazer quanto para prática de aulas de incentivo a iniciação do golfe com profissional experiente e capacitado.
· Disponibilidade de campo de golfe e a criação de mini-campos ou espaços destinados especificamente para as crianças se relacionarem com o esporte;
· Buscar uma facilitação e acessibilidade para a aquisição de equipamentos profissionais para jovens;
· Apoio dos pais, incentivo, e integração dentro do clube através de competições;
· Criação de um vídeo institucional, como material de divulgação do golfe, para utilização em escolas e outras entidades tanto por clubes que queiram aumentar seu quadro social e também como forma de massificar o golfe no país. Para realização do vídeo cada representante que possui um programa infanto-juvenil, se compromete a enviar à Confederação Brasileira de Golfe vídeos de seus clubes, para a edição deste material;
· Estabelecer capitães juvenis dentro dos clubes que não os possuam, devendo estes ser prioritariamente pessoas envolvidas que tenham filhos que jogam golfe. É importante que sejam capacitados e bem relacionados dentro dos clubes;
· A Confederação Brasileira de Golfe deverá criar uma cartilha para, através das Federações, enviar aos Clubes sugestões de incentivo de desenvolvimento do golfe infanto-juvenil;
· Criação da categoria “net” nos torneios juvenis e seus próprios “rankings”, a exemplo dos “rankings” “scratchs” em âmbito estadual e nacional;
· Os clubes deverão, como forma de incentivo, liberar as bolas de “driving range” sem custo para treinamento, facilitar o intercâmbio dos jogadores sem custo de “green-fee” e premiar seus melhores classificados no ranking interno com o pagamento das despesas com estadias e passagens para representá-los em torneios;
· Utilizar os eventos nacionais para realização de seminários entre os juvenis, oportunidade em que serão discutidos regras, condutas e outros aspectos relativos ao esporte;
· Para dar continuidade à formação do jovem golfista, a Confederação Brasileira de Golfe deve manter o calendário do Tour Nacional de Golfe Juvenil, sempre avaliando o “ranking” para formação das equipes sul-americanas.

4. Golfe Profissional

A implementação, revitalização e desenvolvimento do golfe profissional no Brasil passa por:
– Sua vascularização entre as instituições de representação nacional, estadual e local via Confederação Brasileira de Golfe e Federações, para normas, ensino, eventos, difusão e troca de know-how;
– Estabelecimento de fluxo de comunicação permanente no âmbito interno, para padronização do relacionamento com o mercado.
A retomada da importância do profissional, depende da integração efetiva da sua representação com a Confederação Brasileira de Golfe, Federações e Clubes, em função do marketing, eventos, talentos, ensino, etc.
– Criação de um fundo de manutenção através da contribuição do golfista federado além de outras fontes para atender as exigências da classe.
– Criação de um fundo de desenvolvimento para a formação de uma equipe técnica multi-profissional que venha preparar e valorizar os amadores e profissionais que tenham potencial para representar a categoria com dedicação exclusiva, visando a exposição do golfe brasileiro no cenário desportivo internacional com ênfase na América Latina.
– Os profissionais do golfe devem fortalecer a sua entidade representativa.
– Criação de uma comissão composta por representantes das várias instituições do golfe amador e profissional para implementar as sugestões deste Congresso

5. Golfe Feminino

– Possibilidade de ter estágios para se tornar um profissional do golfe feminino. Sugestão de criação dentro da entidade representativa do golfe profissional de um departamento feminino.
– Dar a cada clube a sugestão de criação de um projeto e um programa de golfe juvenil feminino, como por exemplo: um campeonato aberto ou com convidados não praticantes para o jogo.
– Sugerir às Federações e aos Clubes que formem departamentos femininos de golfe para conseguir maior participação da mulher no esporte.
– Sugerir que os presidentes das Federações convoquem as representantes dos clubes filiados às mesmas para debaterem o problema do golfe feminino em seus clubes.

6. Máquinas e Equipamentos

– Criação no site da Confederação Brasileira de Golfe de uma seção de classificados de máquinas, equipamentos, peças e acessórios novos ou usados que não serão mais utilizadas pelo atual clube. O clube em questão preenche uma ficha padronizada específica com foto do item ofertado para venda, troca, aluguel, empréstimo ou doação.
– A Confederação Brasileira de Golfe deve propagar às Federações e campos a idéia da compra de máquinas e equipamentos de alto custo e relativo pouco uso através de “cooperativas” de campos ou outro tipo de associação.
– A Confederação Brasileira de Golfe deve criar um CT (“corpo técnico”) profissional para estabelecer padrões, sugerir manejo, educar e treinar funcionários dos campos, prestar consultoria, etc. nas áreas especificas que envolvam a manutenção de um campo de golfe.
– O corpo técnico deve ser responsável também pela criação de cursos regulares, palestras e treinamentos com um currículo oficial padronizado a ser ministrado nos Clubes e Federações. Estes eventos devem contar pontos e notas para o participante, qualificando-o a melhores condições de emprego. Isto, além de profissionalizar o setor, cria um mercado de trabalho específico para o profissional do campo de golfe e incrementa a qualidade dos campos.
– Elaboração de planejamento a longo prazo pelos clubes em relação ao investimento de máquinas e equipamentos, visando a melhoria dos campos a um menor preço.
– Ampliação de discussão sobre a questão de irrigação, sua necessidade, a economia racional da água. Este trabalho deve ser levado a discussão não só entre os profissionais do setor, mas sim entre toda a sociedade visto que água do planeta está ameaçada. Recomendar aos campos:
§ Para participarem dos Comitês de Bacia Hidrográfica local, envolvendo-se com a comunidade nas questões relativas aos recursos hídricos;
§ para cuidarem da qualidade da água, reciclarem e utilizarem de água reciclada.
§ melhorias técnicas nos sistemas de irrigação visando menor desperdício
§ Divulgação no site da Confederação Brasileira de Golfe de informações do estado de cada campo através de ficha padronizada específica preenchida pelo próprio Campo, com informação semanal para o mês subseqüente e mensal para o trimestre facilitando aos jogadores programarem seus jogos.

Este plano deve ser desenvolvido pelo corpo técnico a ser criado pela Confederação Brasileira de Golfe, corpo técnico este que pedirá aos campos que façam listas elaboradas por seus profissionais de manutenção do campo contendo relação de produtos químicos disponíveis no mercado que gostaria de utilizar mas que não são registrados para uso em gramados. A Confederação Brasileira de Golfe encaminhará esta lista à ANVISA e demais órgãos competentes solicitando como preceder em relação ao uso destes produtos e de eventual legislação específica para uso em gramados profissionais.

A Confederação Brasileira de Golfe deve realizar gestões junto aos órgãos governamentais, agências de fomento e desenvolvimento, para estender as linhas especiais de financiamento aos campos e clubes de golfe. Ex. BNDES: Finame, Moderfrota.

Sugerem os congressistas a criação de CIPAs em todos os clubes, o que irá possibilitar melhor prestação de serviços e menor custo dos clubes na manutenção dos campos.

Elaboração de projeto para redução do Imposto Federal, Estaduais e Municipais na questão das importações. A Confederação Brasileira de Golfe deve encomendar estudo jurídico de planejamento tributário englobando todos os tributos, taxas, contribuições e custos fiscais que incidem sobre os campos e clubes de golfe nos níveis federal, estadual e municipal da administração pública.

Efetuar “Censo” junto aos Campos do número de funcionários envolvidos no golfe, salário médio ou massa salarial, idades, escolaridade, tempo de emprego, para dimensionamento do mercado de trabalho de profissionais de campos de golfe para o desenvolvimento e implementação de políticas especificas, treinamentos, solicitações, etc. O Censo será efetuado via ficha padronizada específica a ser disponibilizada no site da Confederação Brasileira de Golfe.

A Confederação Brasileira de Golfe deve cada vez mais dispor de um site ágil, simples e fácil de ser consultado e atualizado pelos Campos, como referência e objeto de consulta para os jogadores, campos de golfe e demais filiados à Confederação Brasileira de Golfe.

Criação na Confederação Brasileira de Golfe de uma categoria de sócio “empresa” permitindo as empresas que trabalham na indústria do golfe brasileiro se cadastrem e participem mais ativamente do desenvolvimento, melhoria da qualidade, incremento do esporte e profissionalização do golfe brasileiro.

7. A Imprensa e a Opinião Pública Sobre o Golfe

§ É preciso trazer o jornalista, esportivo ou não, para dentro do golfe. É necessário promover ações que possam suscitar o interesse dos jornalistas pelo esporte como, por exemplo, a realização de clínicas, palestras e cursos (práticos e teóricos), para ensinar os preceitos dessa prática. Dentro deste item merece especial destaque a dificuldade de relacionamento existente entre os clubes e a imprensa. É preciso enxergar a imprensa como parceira e não como inimiga.

§ Foi sugerida à Confederação Brasileira de Golfe a realização de um seminário reunindo os assessores de imprensa de todos os Clubes e Federações para que se buscasse uma unidade de linguagem na comunicação. Foi sugerida, ainda, a criação de um canal de comunicação permanente entre a assessoria da Confederação Brasileira de Golfe e as das demais entidades do Brasil para que pudessem ser explorados de forma mais eficaz e conjugados temas de interesse do setor.

§ O exemplo de São Paulo foi muito debatido. Houve uma solicitação recorrente para que a Confederação Brasileira de Golfe disponibilizasse toda sorte de informações e um modelo de como conseguir obter os resultados que alcançou com a mídia.

§ Criar uma cartilha, dirigida aos profissionais da imprensa, orientando como cobrir o esporte. Tal trabalho deveria se diferenciar dos costumeiros manuais técnicos. Deve ter uma linguagem acessível e didática.

§ Promover mais projetos de responsabilidade social. Tratam-se de “ganchos” mais fáceis para formar “good-will” com a imprensa. Exemplo: PROGRAMA PRIMEIRA TACADA, realizado no período de férias escolares, franqueando clubes para que a meninada da comunidade pudesse tomar contato com o esporte. Outro programa, o GOLFE JUNIOR, oferecendo aulas gratuitas de golfe para crianças e adolescentes.

§ Profissionalizar o setor de comunicação dentro dos Clubes, Campos e Federações. A prática tem mostrado que, quando existe um departamento específico de assessoria de imprensa tratando desta tarefa, os resultados são significativamente mais abrangentes.

§ Buscar uma ação que possa sensibilizar a classe política (Prefeitos e Câmaras Municipais) para os benefícios trazidos ao município pela implantação de um campo de golfe.

§ Buscar maior interação entre Federações, Clubes e CBG com o segmento educacional, promovendo entrosamento com universidades e escolas de maneira geral. Trata-se, como discutido no grupo, de uma fórmula efetiva para quebrar o circulo vicioso do golfe: Clubes, resorts e clubes.

8. O Golfe e O Meio Ambiente

§ Necessidade de se fazer um esforço maior para desmistificar o estigma de que os campos de golfe promovem impactos ambientais negativo. A construção de novos campos esbarra de maneira muito acentuada com o Ministério Público que normalmente qualifica os projetos de forma errônea. Foi sugerida a produção de um material específico (áudio visual, DVD ou folheto), com a contribuição das Federações, divulgando, de forma transparente, os benefícios que o Golfe pode trazer ao meio ambiente. Dar, neste material, destaque ao fato de que o Golfe, ao contrário do que se imagina, não é um predador e sim um protetor do meio ambiente. Este material deveria ser distribuído à imprensa, escolas, clubes, governo etc;

§ Procurar uma conscientização dos órgãos públicos e classes políticas a respeito da atividade do golfe;

§ Constituir uma assessoria jurídica/ambiental orientativa a todos que se interessam pelos problemas que são enfrentados;

§ Provocação de um seminário em curto prazo, colocando o mundo do golfe em harmonia com o meio ambiente.

9. Golfe Amador Competitivo

§ Data fixa para os torneios: sugestão de que quando houver necessidade de mudanças que esta seja apenas em relação ao campo, evitando-se de mudar datas;

§ Mais campos e custo menor: expandir o acesso a novos jogadores;

§ Apoio a jogadores de handicap, com intuito de aumentar a quantidade de jogadores e o aumento do interesse de investidores permitindo, assim, o aumento de campos, a diminuição de custos e por conseqüência o aumento de jogadores, gerando assim maior possibilidade de se obter uma melhor qualidade.

§ Sugestão de que os Torneios Juvenis, quando realizados em época de férias sejam durante a semana, bem como, tenham um acompanhamento de profissional e palestras sobre regras e etiquetas.

§ Priorizar a competitividade Inter Clubes: aproveitar os campeões Inter Clubes Estaduais para realizar um torneio a nível nacional, cujo campeão irá representar o Brasil em um possível Campeonato Internacional de Inter Clubes, cuja proposta foi aceita inicialmente pelos representantes do Paraguai e Uruguai.

§ Inter Federações: adaptar a Copa dos Campeões, nos moldes do Torneio Inter Federações, de maneira a incentivar a participação de jogadores com handicap em todas as categorias.

§ Priorizar o jogador de handicap, pois este tipo de jogador também tem competitividade, possibilitando assim representatividade do Brasil a nível internacional. Em razão da implantação do Slope System, a categoria de handicap terá um controle melhor.

§ Buscar os patrocinadores de torneios empresariais, que atualmente fazem circuitos fechados (Mercedes, Audi, Peugeot e outros) visando implementar os torneios de handicap.

§ Ranking Nacional: criação de uma equipe anual (de 10 a 20 selecionados), integrada por jogadores de Ranking, para representar o país (com apoio de profissional de Golfe, psicólogo e preparador físico).

§ Um (1) representante da Confederação Brasileira de Golfe para acompanhar os torneios válidos para os rankings nacionais;

§ Sugerida a existência para o ranking nacional amador de três (3) tipos de torneios:
Amador brasileiro = peso 2.
Aberto dos Estados (54 buracos) = peso 1,5.
Um outro torneio por cada Federação (36 buracos) = peso 1.
Sugestão de peso por antiguidade, sendo quadrimestre mais recente 1,2, o quadrimestre anterior 1,0 e o quadrimestre mais antigo 0,8.