14/06/2005

Por debaixo do boné


A maioria dos golfistas usa boné e nem todos aproveitam essa cabeça protegida em favor do bom jogo. O golfe é definitivamente um esporte mental e a criatividade pode se transformar num recurso extra, quando a falta de treino prejudica os jogadores que tem outras obrigações profissionais.

Dentro do jogo mental, que é um jogo dentro do jogo, surgem dificuldades criadas apenas por nós. A escolha dos tacos pode ser convertida facilmente numa luta entre o ego e a razão técnica. Se Tiger Woods, Angel Cabrera ou Fabiano dos Santos pega um ferro oito para enviar a bola a 160 metros, palmas para ele. A decisão inteligente será pegar um outro taco maior, até inclusive o driver sem vergonha. Se outros jogadores mais hábeis, fortes ou jovens batem ferros curtos para atravessar um obstáculo de água a 135 metros nada impede ao jogador escolher um ferro longo ou até uma madeira, que certamente dará maior distancia a bola com o mesmo balanço. Pegar o mesmo taco que os outros pode ser apenas um inconsciente ranço machista porem fatal para o resultado. No golfe não importa que taco se utilize apenas o resultado.

“Não importa o que digam, escolha o que é bom para você, o taco com o qual se sinta seguro”, comentava Roberto Gómez, que representou o Brasil em 11 campeonatos mundiais amadores.

Manter o foco é fundamental evitando manter pensamentos que perturbem as tacadas. Reclamar do frio, do calor, do vento é apenas um desgaste desnecessário, considerando que não controlamos esses fatores e somente prejudicamos a nossa concentração. Outra decisão inteligente é nunca abandonar. O jogo, o percurso, a vida estão cheios de surpresas. O percurso tem 18 buracos é no próximo poderemos dar a melhor tacada, ter melhor sorte com o destino final da bola. Se baixarmos os tacos nada acontecerá. Uma tacada que levou nossa bola para o mato pode ser a oportunidade de fazer um próximo tiro espetacular por cima das árvores ou driblando os troncos. Um tiro que melhorará o escore e o ânimo. O limão vira limonada.

Tiger Woods no seu livro “How I play golf” dedica bom espaço a sua preparação mental para o jogo. Os livros em português “Tacadas de Vida” e o “Pequeno Vermelho do Golfe” fornecem outros elementos importantes sobre o jogo mental.
Já que livros foram mencionados, resulta difícil entender o porquê em torneios, clínicas ou eventos de golfe raramente são distribuídos brindes para estimular a inteligência dos participantes. Em quase todos os torneios, eventos ou clínicas de golfe recebemos brindes que incluem bonés, que são bem recebidos pela sua praticidade. Mas quase nunca ganhamos livros de golfe, quando a prioridade deveria proteger e melhorar o que temos por debaixo do boné. Vários livros de golfe têm o custo de um boné. Assim está sobrando boné na cabeça de muita gente.

Confira mais detalhes na Gazeta Mercantil, coluna Swing de Guillermo Piernes.