04/11/2009

Jovens promessas querem o Brasil no mapa do golfe mundial


Hannah Barwood é uma inglesinha de 19 anos que não esconde o desejo de disputar as Olimpíadas de 2016. A volta do golfe ao programa olímpico só fez aumentar seu empenho. Completou o ensino médio e agora se dedica integralmente ao esporte, apoiada por um programa do governo que oferece estrutura e ajuda nos custos dos atletas. Campeã do Faldo Series Grand Slam – principal torneio juvenil do mundo – de 2008, ela estava feliz por poder jogar a edição deste ano num possível palco do torneio em 2016: o Itanhangá Golf Club. Mas confessa que sua “referência de esporte no Brasil é o futebol”. E Kaká. Sobre o golfe, sempre ouviu dizer que os campos eram bons, mas não conhece nenhum brasileiro de destaque mundial. Realidade que Felipe Navarro espera que comece a mudar com a realização dos Jogos.

Aos 19 anos, ele ocupa a segunda posição no ranking nacional. Sabe que o tempo para tentar colocar o Brasil no mapa da modalidade é curto, mas tem esperança de que, com uma estrutura melhor, o futuro seja diferente.

– Vamos precisar popularizar o golfe. Por aqui, ele ainda é muito elitista. Os torneios juvenis têm apenas cem competidores. Nos Estados Unidos há campos públicos, onde se vê pedreiros e taxistas jogando. No Brasil, você tem que comprar um título de um clube, que pode custar R$ 100 mil, pagar mensalidade, técnico, caddie. Tenho sorte de meu pai ser treinador e eu não precisar ser sócio do local onde treino – disse Felipe.

Ainda assim, ele calcula que o investimento anual da família seja de R$ 20 mil. O investimento de tempo também é grande. Felipe está fazendo supletivo e treina oito horas por dia, sob a orientação do pai. Chegou a pensar em se mudar para a Argentina, como fez o amigo Arthur Lang, já que o país vizinho conta com um centro de treinamento que oferece preparador físico, técnico, psicológo, além de muitos campos. Mas, se tiver condições, prefere passar uma temporada nos EUA, terra do ídolo maior, e de quem sabe toda a história: Tiger Woods.

– Ele é tudo isso e mais um pouco. Desde que nasceu não faz outra coisa do que pensar em golfe. Ganhou um taquinho de plástico quando era pequeno, e o pai dele falou que seria o melhor. Ele tinha um pôster do Jack Nicklaus no quarto com todos os títulos conquistados e marcava os que queria bater. Desde que o Rio ganhou o direito de sediar as Olimpíadas, meus amigos acham que sou um fenômeno e que já estou dentro. Mas vou ter que treinar muito e mostrar determinação durante esse tempo porque só vão ser duas vagas no masculino e duas no feminino. E o golfe é um esporte onde tudo pode acontecer.

Vitória Teixeira, de 14 anos, sonha com uma vaga nos Jogos Olímpicos de 2016
Outra aspirante a essas poucas vagas é Vitória Teixeira, de 14 anos. Uma vez por semana ela vai ao clube para receber orientações de um técnico. Nos outros dias, treina por conta própria, tentando repetir os movimentos que viu Tiger Woods fazer em algum torneio pelo mundo. Há quatro anos, ela quando começou a se dedicar à modalidade, chegou a pensar em desistir, mas foi jogar um campeonato no exterior, e a motivação voltou.

– Eu queria passar um tempo fora do Brasil porque aqui não tem centro de treinamento e golfe em qualquer lugar. Quando acabar a escola, pretendo ir para os Estados Unidos. Eu não me acho nada demais, mas estou até me surpreendendo com os resultados que ando tendo.

Convidada para disputar o Faldo Series Grand Final, na semana passada, Vitória chegou a liderar a categoria até 16 anos, mas acabou em terceiro lugar, atrás de duas inglesas e à frente da irmã, Clara. Na curta carreira, ela já disputou dois sul-americanos e um mundial juvenil. E só há pouco tempo descobriu que havia uma brasileira que figura entre as melhores golfistas do mundo: Angela Park.

Aos 8 anos, Angela foi levada pelo pai para os Estados Unidos. Em 2007, com 18 anos, ganhou destaque ao conquistar o vice-campeonato do US Open, um dos quatro torneios mais importantes do circuito mundial. Aos 21, com dupla cidadania, já demonstrou vontade de representar o Brasil nos Jogos.

Vitória e Felipe querem o mesmo. E concordam que, para abrigar o torneio olímpico, o ideal seria construir um novo campo. A previsão inicial é que o Itanhangá ou o Gávea Golfe Clube irá ser a sede da disputa.

– Para ter nível olímpico precisaria de um bom investimento nesse campo (Itanhangá). Ele é bom, mas acho que seria mais fácil construir um campo com um resort para os jogadores – afirmou Vitória.

Fonte: globoesporte.com